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Mais de dois Milhões de membros! Um Universo que não pára de crescer e de se diversificar!
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E encontrar formas de corresponder ao interesse e ao entusiasmo desta multidão de rostos.

Por isso, estamos a lançar uma página nova.
Que assume com orgulho o nome de Descobrir Portugal - que fizemos, construímos e consolidámos ao longo destes dois anos no Facebook.
Até conseguirmos ter connosco mais de um MILHÃO de membros, espalhados por todos os cantos da Língua Portuguesa.

Do ala que se faz tarde! conservamos as memórias e os afectos de um blog que, neste curto período, registou mais de 6,5 milhões de visitas. Mas está na altura de iniciar uma nova caminhada fazendo apelo a novos recursos e potencialidades.

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Aquilo que parecia uma brincadeira e um passatempo... tornou-se coisa séria. Precisamos agora de apoios e de suportes que garantam continuação, a…

E quando os ciganos de Belmonte deram uma burra lindíssima a Mário Soares?

Para mim, que durante mais de 20 anos da radio fiz a estrada (ou terei feito a estrada da rádio?), os encontros com Mário Soares foram acontecendo por aí, em qualquer canto de país...
A memória vêm alguma recordações que, não sendo importantes para mais ninguém, fazem parte das minha história pessoal.

Lembro-me que, no dia da votação que dele fez Presidente da República, era o encerramento da FILMODA - no antigo recinto da Feira Internacional de Lisboa na Junqueira.
A feira tinha andado sempre inundada daqueles sobretudos verdes que se haviam convertido numa espécie de autocolante caro da campanha de Freitas do Amaral. Começaram a aparecer os primeiros resultados e depressa se percebeu quem ia ser o vencedor. Como por milagre, num ápice, aquelas peças de vestuário que eram emblema de campanha desapareceram todas. Ainda hoje me interrogo como terá sido isso possível de um momento para o outro.

O milagre do vinho


Eleito Presidente da República em Fevereiro de 1986, tomou posse a 10 de Março. E só em Maio nomeou Helena Roseta como responsável pelas comemorações do Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas.
Évora surgiu como quase único cenário possível do 10 de Junho. Não que Soares, ao contrário das insinuações maldosas, precisasse de pagar os votos comunistas que trouxeram o volte-face dos resultados. Mas apenas... porque já não havia tempo para preparar um adequado programa das comemorações. E a cidade alentejana tinha tudo o que poderia ser necessário para as celebrações: Desde a incondicional cooperação de Abílio Fernandes (o edil local) às obras de João Cutileiro (então escultor residente na cidade eborense), aos trabalhos de Túlio Espanca e à actividade intensa do Centro Dramático de Évora. A isto somava-se a força e o espectáculo dos corais alentejanos. De fora quase só foram necessários os Heróis do Mar para o concerto na Praça do Giraldo...!

Em relação aos banquetes e outras celebrações de mesa, bastaria a riqueza da cozinha alentejana e a batuta do Manuel Fialho.
Não foram as confusões inventadas pelo Protocolo de Estado...

No almoço do 10 de Junho, nos jardins do Palácio Dom Manuel, convidados recebidos com um verdadeiro festival de comedorias do Alentejo.

Mas, olhando com mais atenção, vejo que não havia vinho. E isto de comer cabeça de xara ou queijo de ovelha com sumo de tomate... Não dá!

Manel, o vinho? - perguntei. Não há, respondeu o mestre gastrónomo alentejano. E vendo a minha cara de espanto, foi explicando: Ordens do protocolo de Estado, dizem que está muito calor e que é só com sumos.
A pensar em mil coisas como sempre, Soares nem tinha reparado. Até que ouviu a mesma interrogação da boca do embaixador de Itália. Sem conter o espanto, de imediato questionou Manuel Fialho que lhe deu a mesmíssima resposta que antes me concedera. O Presidente, num claro esforço de contenção para não dizer o que todos perceberam que apetecia, limitou-se a um Invente vinho!

Daí a uns minutos começaram a chegar garrafas de belíssimos néctares do Alentejo. Curioso, perguntei: Manel onde é que foste buscar o vinho? Cala-te - respondeu - estão a beber o vinho do banquete do jantar. Agora tenho quatro horas para conseguir vinho para a noite.

A burra foi para o colégio!


Inesquecível o 10 de Junho na Covilhã e a Presidência Aberta naquelas terras da Beira Interior. Fala-se muito do estilo do actual ocupante do Palácio de Belém. Mas Soares era impagável e bem liberto nos contactos com o povo. Não tinham era ainda sido inventados os telemóveis que servem para fazer fotografias, nem ninguém sonhava com selfies...!
Tão liberto que dizia de imediato o que estava a pensar. Às vezes saiam gafes. Que, na boca dele, eram momentos do mais puro humor.

Recordo uma, em Belmonte, a propósito da oferta que a comunidade local da etnia cigana lhe preparou.
Queriam dar ao presidente o seu bem mais precioso. E lá veio uma burra! Lindíssima, muito jovem, com uma franjinha... Um espanto!

Minutos antes, estavam os jornalistas à conversa com Mário Soares e ouviu-se a pergunta do Batista Bastos: Presidente, o que é que vai fazer à burra?

Soares, sem pensar na forma como as suas palavras podiam ser interpretadas, saiu-se com um imediato "bem... a burra vai para o colégio".
E, vendo as nossas caras, emendou a mão: não é que a burra tenha de aprender nada, é só para as minhas netas brincarem!. Claro que falava no Colégio Moderno...

O bom e o bonito foi quando, em plena cerimónia, chegou - de charrete e chapéu à Dallas - o filho do chefe da comunidade cigana. No momento seguinte, com os seu séquito, já içava a burra para cima do palanque presidencial e proclamava de forma bem sonora: Vimos aqui para ofereceri esta burra ao Senhor Presidenti Soares da República.
Não houve protocolo que resistisse - as danças ciganas tinham tomado conta do palco e a cerimónia ficou-se por ali, entre agradecimentos e sorrisos.

* * * * *

Foram tantos os momentos de registar e sublinhar (verdadeiro teste aos nervos do Carneiro Jacinto) que deixo algumas das histórias para outra ocasião.
Apeteceu apenas sublinhar que o "Soares é fixe", frequentemente gritado, tinha muito a ver com a forma calorosa e espontânea como ele se relacionava com as multidões, entre os beijos das criancinhas e os abraços das velhas...
Um estilo que a sensibilidade e timidez de Sampaio ou a rigidez de Cavaco nunca permitiriam. Marcelo anda por lá. Mais foto, menos foto!

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