Fenómeno de crescimento e participação! Agora não podemos parar!

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Mais de dois Milhões de membros! Um Universo que não pára de crescer e de se diversificar!
Chegados aqui... Temos de ir em frente!
E encontrar formas de corresponder ao interesse e ao entusiasmo desta multidão de rostos.

Por isso, estamos a lançar uma página nova.
Que assume com orgulho o nome de Descobrir Portugal - que fizemos, construímos e consolidámos ao longo destes dois anos no Facebook.
Até conseguirmos ter connosco mais de um MILHÃO de membros, espalhados por todos os cantos da Língua Portuguesa.

Do ala que se faz tarde! conservamos as memórias e os afectos de um blog que, neste curto período, registou mais de 6,5 milhões de visitas. Mas está na altura de iniciar uma nova caminhada fazendo apelo a novos recursos e potencialidades.

• E aí está owww.descobrirportugal.pt.Que quer continuar a contar com o vosso apoio e a vossa divulgação!


Aquilo que parecia uma brincadeira e um passatempo... tornou-se coisa séria. Precisamos agora de apoios e de suportes que garantam continuação, a…

Às cavalitas do pai... para a Feira da Luz!

Há imagens que nunca nos abandonam:
Um sorriso de mãe, as cavalitas do pai, as manhãs de domingo no Jardim do Campo Grande, a ida de eléctrico à Baixa para o Circo de Natal no Coliseu, a Feira Popular (ainda em Palhavã? Sou mesmo velho!),  a praia aos magotes de brincadeiras e miudagem em Santo Amaro de Oeiras...


E, claro, a Feira da Luz!


Nos finais dos anos 50, as Festas da Senhora da Luz eram a quase a única romaria que sobrevivia em Lisboa. Com o lúdico a sobrepor-se à procissão e aquelas barraquinhas que tinham de tudo... Dos tachos e panelas aos barros, rifas, facas e navalhas.

Havia quem lesse a sina, não faltavam os espectáculos de Robertos ou o cego que cantava crimes e escândalos da semana... Aproveitando para vender, em grandes folhas volantes, letras e imagens a propósito. Nessa altura ainda não tinha chegado o jornalismo alcoviteiro e alguém tinha de desempenhar esse papel!
Quase como os vendedores de banha de cobra com as suas poções milagrosas para as mais variadas maleitas - verdadeiros percursores de algumas rubricas dos programas televisivos de hoje em dia.

No recinto da feira, abundavam os mostruários de roupa de vestir ou de pôr na cama e sempre andaram por lá os comerciantes de ouro e bugigangas.
As barracas de comes e bebes podiam ser tentação para os mais velhos. Mas a miudagem só tinha olhos, desejos e birras para carrosséis e farturas!

Há cheiros que ficam para sempre gravados na memória. Como os do polvo,  naqueles assadores feitos de bidões serrados alimentados a carvão. Não havia mesmo ida à feira que dispensasse tal pitéu.

Como nas romarias de aldeia, o caminho para a Feira da Luz era feito a pé e em grupo. Tempos em que ainda não se tinha rasgado a 2ª Circular e o Bairro de Telheiras era coisa inimaginável.

A minha infância foi toda ali para as bandas do Campo Grande. Nesses tempos, a quase única forma de chegar ao Largo da Luz era (ladeando quintas, como a de São Vicente) pela velha Estrada de Telheiras... A pé.

Caminho longo para pernas de 4 ou 5 anos, feito entre magotes de gente a caminho da festa, num bruaá de ditos e, de quando em vez, com uma ou outra música à mistura.
O regresso era bem silencioso e penoso. Valiam, na altura, as tais cavalitas de pai...

É  assim: dei comigo enleado em recordações e saudades numa destas tardes de visita à Feira da Luz. Não há como evitar... a memória, muitas vezes, supera a contemplação e a fruição.
E submerge-nos em rostos e gestos que amámos e nos fizeram.

Se calhar... é também por isso que não dispenso o retorno a esta feira de infância. Embora sabendo que fica sempre como pálida amostra de tudo o que subsiste nas minhas lembranças.

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