Num triângulo de Ilhas, uma lenda de Açores. De rosto humano!

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Dou comigo a recordar aquele mestre do Terra Alta que - numa travessia das Velas para São Roque, já lá vão mais de 25 anos - me contava do Sr. Quaresma, de braço no ar, em cima do velho cais da Madalena.
Em dias de temporal, contando as ondas... para marcar o momento seguro de entrada do barco.

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Naquele triângulo de ilhas, o barco era tudo: Viu nascer as crianças (mais impacientes!) que não aguardaram até ao hospital da ilha em frente... foi viatura de funeral ou ambulância.
Muitas histórias de amor se teceram à distância, vertidas nas cartas confiadas a João Quaresma para que as encaminhasse para os amores ausentes.
Ou os açafates da comida e as encomendas que os pais mandavam para os miúdos da Ilha Montanha que tinham ido estudar para a Horta. Do lado de lá. o Gilberto das Lanchas, com a sua carrocinha, havia de tratar das entregas em mão.

Não havia lancha que arriscasse demandar o porto da Madalena sem ordem de João Quaresma. Todos os dias em cima do cai…

E quando, dos sabores, se faz música? Serão músicas de comer?

Os prazeres não têm limites ou balizas definidas. Podem perfeitamente associar-se, misturar-se, transmutar-se. É também o que têm de bom: Provocam e instigam - à repetição e à reincidência!

Sentimentos, gostos ou vontades de prazer não se arrumam em gavetas nem se guardam em ficheiros - aí está uma coisas que os computadores e o marketing ainda não conseguiram sistematizar ou domesticar.
Valha-nos a indisciplina da busca e do desejo...
Ao menos isso!

E, alguma das canções mais saborosas, acabam por falar de pratos, petiscos, prazeres de mastigação ou de libação.

Não iremos fazer nenhuma enumeração exaustiva nem traremos aqui os resultados de nenhuma pesquisa ou recolha.
Como acto de fruição, basta-nos a memória e a recordação de sabores, palavras e melodias.
A esmo!


De imediato vêm à lembrança algumas canções de Saborear:
Mas muito outras haveria para referenciar.

Por agora, apetece trazer aqui esta moda alentejana:
 Ao cair da tarde / lembro com saudade / encostado ao balcão / tiras de toucinho / um copo de vinho / azeitonas, queijo e pão (...)
• pelo Grupo Coral da Freguesia de Monsaraz, num vídeo de Reguengos ComVida:

Muita gente está a ler também:

Ana Moura - "Dia de Folga"

Que alma terá inventado essa coisa da "carne de porco à alentejana"?

Do Minho para a sua mesa... Caldo Verde!