Num triângulo de Ilhas, uma lenda de Açores. De rosto humano!

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Dou comigo a recordar aquele mestre do Terra Alta que - numa travessia das Velas para São Roque, já lá vão mais de 25 anos - me contava do Sr. Quaresma, de braço no ar, em cima do velho cais da Madalena.
Em dias de temporal, contando as ondas... para marcar o momento seguro de entrada do barco.

Clique para se deslumbrar! ►

Naquele triângulo de ilhas, o barco era tudo: Viu nascer as crianças (mais impacientes!) que não aguardaram até ao hospital da ilha em frente... foi viatura de funeral ou ambulância.
Muitas histórias de amor se teceram à distância, vertidas nas cartas confiadas a João Quaresma para que as encaminhasse para os amores ausentes.
Ou os açafates da comida e as encomendas que os pais mandavam para os miúdos da Ilha Montanha que tinham ido estudar para a Horta. Do lado de lá. o Gilberto das Lanchas, com a sua carrocinha, havia de tratar das entregas em mão.

Não havia lancha que arriscasse demandar o porto da Madalena sem ordem de João Quaresma. Todos os dias em cima do cai…

Camané - "A Guerra das Rosas"


Com letra de Manuela de Freitas e música de José Mário Branco, a Guerra das Rosas integrou o álbum Do Amor e dos Dias lançado no final de Julho de 2010.

Camané afirmava-se cada vez mais como voz única no Fado. Este seu 6º trabalho em estúdio tem um final surpreendente.

Saboreie o videoclipe realizado por António Ferreira.
Uma produção de Persona Non Grata Pictures.


Partiste sem dizer adeus nem nada
Fingiste a culpa era toda minha
Disseste que eu tinha a vida estragada
E eu gritei-te da escada que fosses morrer sozinha

Voltaste e nem desculpa pediste
Perguntaste porque é que eu tinha chorado
Não respondi, mas quando vi que sorriste
Eu disse que estava triste porque tu tinhas voltado

Zangada esvaziaste o meu armário
E em nada ficou meu disco preferido
De raiva rasguei o teu diário, virei teu saco ao contrário, dei-te cabo do vestido
Queimaste o meu jantar favorito
Deixaste o meu champanhe azedar
E quando cozinhei o periquito para abafar o teu grito, eu comecei a cantar...

Fumavas e eu nem suportava o cheiro
Teimavas em me acender um cigarro
E quando tu me ofereceste um isqueiro
Atirei-te com o cinzeiro, escondi as chaves do carro
Não queria que visses televisão em dia de jogos de Portugal
Torcias contra a nossa selecção, se eu via um filme de acção tu mudavas de canal

Tu querias que eu fosse contigo ao bar
Só ias se eu não entrasse contigo
Sai-a para não ter de te aturar, tu ficavas a dançar com o meu melhor amigo
Gozavas porque eu não queria beber
Ralhavas ao ver-me de grão na asa
Eu ia a festa sem te dizer, nunca cheguei a saber, se tu ficavas em casa

Tu deste ao porteiro roupa minha
Soubeste que lhe dera o teu roupão
Eu dei o teu anel á vizinha pela estima que lhe tinha
Ofereceste-lhe o meu cão
Foste lendo o teu romance de amor
Sabendo que eu não gostava da historia
No dia de o mandares para o editor, fui ao teu computador
Apaguei-o da memoria.

Se cozinhavas eu jantava sempre fora
Juravas que eu havia de paga-las
Aqui na rua dizias-me a toda a hora que quando eu me fui embora
Tu ficaste-me com as malas
Depois desses anos infernais
Os dois éramos caso arrumado
Achando que também era de mais
Juramos para nunca mais, foi cada um para seu lado.

No escuro tu insiste que eu não presto
Eu juro que falta a parte melhor
O beijo acaba com o teu protesto, amanha conto-te o resto
Boa noite meu amor!


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