Num triângulo de Ilhas, uma lenda de Açores. De rosto humano!

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Dou comigo a recordar aquele mestre do Terra Alta que - numa travessia das Velas para São Roque, já lá vão mais de 25 anos - me contava do Sr. Quaresma, de braço no ar, em cima do velho cais da Madalena.
Em dias de temporal, contando as ondas... para marcar o momento seguro de entrada do barco.

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Naquele triângulo de ilhas, o barco era tudo: Viu nascer as crianças (mais impacientes!) que não aguardaram até ao hospital da ilha em frente... foi viatura de funeral ou ambulância.
Muitas histórias de amor se teceram à distância, vertidas nas cartas confiadas a João Quaresma para que as encaminhasse para os amores ausentes.
Ou os açafates da comida e as encomendas que os pais mandavam para os miúdos da Ilha Montanha que tinham ido estudar para a Horta. Do lado de lá. o Gilberto das Lanchas, com a sua carrocinha, havia de tratar das entregas em mão.

Não havia lancha que arriscasse demandar o porto da Madalena sem ordem de João Quaresma. Todos os dias em cima do cai…

"Há sempre um Portugal desconhecido... que espera por si"


Foi a mais estimulante e criativa campanha do promoção do Turismo Interno jamais feita em Portugal. Ou nela não estivesse envolvido Alexandre O'Neill - um poeta, um cultor de palavras, um publicista!
Até dói saber que esta magistral campanha promocional foi realizada em plena Ditadura. E que, depois dela, quase só aquela pobreza - com laivos de rosqueirice - da escapadinha e um pobre e linear vá para fora cá dentro. A recordar a anedota clássica:
- Maria, põe a mesa na varanda que hoje vamos almoçar fora.

Confrangedora a falta de criatividade dos criadores nacionais e a incapacidade crónica das estruturas oficiais do Turismo. Quer as centrais, quer as Regionais... Com os equilíbrios episódico-conjunturais do jogo de forças partidárias a determinarem o preenchimento de cargos de liderança e opções tudo menos estratégicas.

Mas ainda mais confusos são os jogos de poder e de influência na relação com mercados estrangeiros: soluções pantanosas que nada ajudam à construção de um perfil solido, atractivo e estimulante do Destino Portugal.
Seria compreensível que ao Turismo de Portugal fosse cometida a responsabilidade da Promoção Externa e às Entidades Regionais de Turismo a capacidade de captação dos fluxos internos. Mas nunca ninguém me convenceu da bondade e utilidade das Agências Regionais de Promoção - se os dinheiros de que dispõem são em grande parte provenientes do Orçamento Geral do Estado e de fundos comunitários, se não é significativo o contributo dos privados no financiamento dessas estruturas, para quê um órgão híbrido - uma espécie de parceria público-privada paga pelos do costume?

Nesta altura, andam para aí para aí muito contentinhos com os números do Turismo. Sem que ninguém queira reconhecer que, em grande parte, pouco têm de capacidade de captação de fluxos turísticos e são mais resultado da crise económica, que obrigou os europeus a optar por destinos de proximidade, associada ao inferno em que se transformou a bacia do mediterrâneo: da Tunísia ao Egipto, da Síria aos refugiados que todos os dias desembarcam nas costas da Grécia e da Itália...

A única esperança dos sucessivos responsáveis parece ser... que estas zonas continuem a ferro e fogo: Para que o´Portugal permaneça atractivo e apetecível (também em termos de preços) a quem o procura!

Nota final:

Alguns poderão não gostar do que por aqui ficou dito. Mas é a nossa opinião!
E o trabalho que todos os dias realizamos de divulgação de Portugal
em todo o Universo da língua portuguesa - sem quaisquer apoios
oficiais e com a concorrência desleal de dinheiros do Estado
resultantes dos impostos que cobra a todos nós -
confere-nos, no mínimo, o direito a ter opinião.
E contra isso... (como diria o nosso
povo) batatas!

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Parar aqui ou ali para um copo, uma paisagem ou dois dedos de conversa...
Você, que ocasionalmente passou pelo Blogue ou a ele foi trazido pelos nossos links, perguntará:
O que é que estes tipos sabem para ter um blogue com a ousadia de aflorar temas como Turismo, Produto Turístico ou Oferta Turística?


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