Num triângulo de Ilhas, uma lenda de Açores. De rosto humano!

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Dou comigo a recordar aquele mestre do Terra Alta que - numa travessia das Velas para São Roque, já lá vão mais de 25 anos - me contava do Sr. Quaresma, de braço no ar, em cima do velho cais da Madalena.
Em dias de temporal, contando as ondas... para marcar o momento seguro de entrada do barco.

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Naquele triângulo de ilhas, o barco era tudo: Viu nascer as crianças (mais impacientes!) que não aguardaram até ao hospital da ilha em frente... foi viatura de funeral ou ambulância.
Muitas histórias de amor se teceram à distância, vertidas nas cartas confiadas a João Quaresma para que as encaminhasse para os amores ausentes.
Ou os açafates da comida e as encomendas que os pais mandavam para os miúdos da Ilha Montanha que tinham ido estudar para a Horta. Do lado de lá. o Gilberto das Lanchas, com a sua carrocinha, havia de tratar das entregas em mão.

Não havia lancha que arriscasse demandar o porto da Madalena sem ordem de João Quaresma. Todos os dias em cima do cai…

Quando passeia, os hoteis não são para dormir?

Se há hotel que me tenha marcado nos Açores foi o de Vila Franca no Campo.
Nessa altura chamava-se Baia Palace. E foi, durante muitos anos, o meu porto seguro na Ilha de São Miguel.

Gostava dos horizontes abertos, dos quartos voltados para o mar, com a praia de Água D’Alto logo ali e as montanhas à volta. Mas não dispensava a oportunidade dos passeios em redor, de provar a cozinha do Jaime, passear as ruas da vila, ficar no enlevo da beira do mar e das vistas do Ilhéu.

Nesses tempos não era fácil o trajecto que ia do Aeroporto (às portas de Ponta Delgada) até aquelas bandas… Uma estrada antiga, sinuosa e apertada, que transpirava mistérios e surpresas de paisagens mas obrigava a uma condução com vagares e atenção redobrada. Era o preço a pagar pela escolha da idílica e passageira morada.

De uma das vezes que lá estive levei comigo uma vintena de companheiros jornalistas do continente. Foi no princípio dos anos 90. Alguns já nos deixaram, como o Carlos Gil ou o Hermano Manuel, outros… como o José Quitério, a Cláudia Páscoa ou o Vítor Bandarra, ainda guardam as memórias dos Passeios de Jornalistas e não esquecerão a nossa aventura por todas as ilhas do arquipélago. Em 3 vagas, repartidas por 6 anos…

Continuei a passar pelo hotel e fui testemunha da sua decadência. Até que o abandonei de vez.
Ironicamente, quando a viagem para Ponta Delgada - com a nova Via Rápida - deixou de ser bem superior a uma hora, para se tornar possível nuns 20 minutos.

Com o passar dos anos fui ganhando saudades das imagens e dos momentos que por lá vivi. E foi com sincero prazer que recebi a notícia de que está novamente de portas abertas.
Mudou de nome, mudou de cor, rejuvenesceu, está como novo: Integra agora o Grupo Pestana e passou a chamar-se Pestana Bahia Praia.

"O hotel dispõe de 102 quartos (dos quais 85 são suites júnior e 5 suites sénior), todos com uma vista magnífica, em simultâneo, para mar, praia e montanha" contam os papéis que me enviaram com a boa nova.
E, como seria de esperar numa situação destas, vão mais longe. Dizem mesmo que o (re)inaugurado hotel:
"Coloca à disposição dos hóspedes inúmeras facilidades, igualmente profundamente remodeladas: restaurantes, bares, piscina, salas de conferência, salas de jogos, biblioteca/sala de leitura, campos de ténis, jardins e ainda espaços para banquetes."


Tenho de lá voltar logo que possa. Apetecem-me aquelas paragens. E estou curioso de desvendar o trabalho de recuperação e a nova vida daquela unidade hoteleira.
Sem desperdiçar as minhas recordações...!

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