Figuras do Presépio invadem Monsaraz!

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Presépio gigante de rua, com figuras em tamanho real, regressa sexta-feira a Monsaraz.

Pelas 11 da manhã, nas Portas da Vila, o Grupo Coral da Freguesia de Monsaraz abre a festa com os seus Cantos de Natal.
As Figuras do Presépio tomam conta de Monsaraz. E até aos Reis, a vila medieval é delas!

Delas (de quantos a habitam e gostam!) e dos muitos milhares que vão passar por lá para ver Natal dentro de muralhas com vistas d'Alqueva


Espraia-se pelas ruas da vila até ao Largo do Castelo. Aí ficará o conjunto principal: A Virgem, São José e o Menino Jesus.
As outras figuras (ao todo são 48) distribuem-se pelas ruas da vila.

Em tamanho natural, estruturas de ferro e rede, cobertas por panos de cor crua, pintadas em tons pastel, rosa velho e lilases.
Caras e mãos feitas em cerâmica.

Por lá vão estar os Reis Magos, o pastor, os guardas do castelo, o oleiro, o almocreve, a lavadeira e a fiadeira. E muito mais!
Tudo impermeabilizado e tratado para aguentar a chuva.
À noite, todas as figura…

"Porque os outros se compram e se vendem / E os seus gestos dão sempre dividendo"

Sophia de Mello Breyner Andresen
Muitos dos que, nos anos 70, fizeram desta canção coro de protesto e revolta contra a Ditadura não saberiam, nessa altura, que estavam a entoar um poema de Sofia de Mello Breyner.

Francisco Fanhais - aliás Padre Fanhais, como era então reconhecido - chegava com a sua viola e começava a cantar. As vozes presentes haviam de se lhe juntar. E esta era uma das canções que nunca podia faltar!

Os poemas não têm idade. As palavras de Sofia - todas estas décadas depois, com uma queda de Ditadura e a chegada da Democracia pelo meio - continuam perfeitamente actuais e actuantes!.
Claro que agora não há o risco de a Polícia Política desatar a prender cantantes e coro. O que já faz diferença grande...!

  • Integrou o LP "Canções da Cidade Nova", editado em1970


Porque...

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

  • Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen (in "Mar Novo", Lisboa: Guimarães Editores, 1958; "Obra Poética II", Lisboa: Editorial Caminho, 1991 – pág. 71)

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