Num triângulo de Ilhas, uma lenda de Açores. De rosto humano!

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Dou comigo a recordar aquele mestre do Terra Alta que - numa travessia das Velas para São Roque, já lá vão mais de 25 anos - me contava do Sr. Quaresma, de braço no ar, em cima do velho cais da Madalena.
Em dias de temporal, contando as ondas... para marcar o momento seguro de entrada do barco.

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Naquele triângulo de ilhas, o barco era tudo: Viu nascer as crianças (mais impacientes!) que não aguardaram até ao hospital da ilha em frente... foi viatura de funeral ou ambulância.
Muitas histórias de amor se teceram à distância, vertidas nas cartas confiadas a João Quaresma para que as encaminhasse para os amores ausentes.
Ou os açafates da comida e as encomendas que os pais mandavam para os miúdos da Ilha Montanha que tinham ido estudar para a Horta. Do lado de lá. o Gilberto das Lanchas, com a sua carrocinha, havia de tratar das entregas em mão.

Não havia lancha que arriscasse demandar o porto da Madalena sem ordem de João Quaresma. Todos os dias em cima do cai…

Quantos anos? Ainda lembrarão?

Quantos anos terão agora aquelas caras de menina e aquelas mãos voando sobre as almofadas da renda de bilros?
Eu estou bem mais velho (já se foram mais uns 13!).
Tempos em que ainda me era permitido trabalhar na Rádio Pública...

Foi uma inesquecível emissão do Feira Franca em Armação de Pêra. Notável pelo empenho e participação local.
Difícil de olvidar, também, porque aí começou o meu processo de despedimento da Antena 1.

Imagine-se que, entre todos os materiais de promoção do programa (faixas, cartazes, volantes, etc.)


Que a associação de desenvolvimento local Dar de Vaia providenciou (e pagou!) e de que eu remeti cópia à Administração da RDP...!


fazia parte uma garrafa de vinho: Um engarrafamento especial com rótulo alusivo aquela emissão.

O então presidente do Conselho de Administração da RDP (de quem já esqueci o nome!) não gostou e... achou que eu estaria a insinuar qualquer coisa!!!

Acordes de banda ou filarmónica eram coisa que a Festa da Rádio não dispensava.
Aqui, uma manhã magnífica de Sol, com o mar em fundo e uma multidão à volta.
(Feira Franca - Armação de Pêra - Setembro de 2003)

Ao menos podia ter devolvido a garrafa.
E eu haveria de a beber com imenso prazer e... gosto!
A recordar a entusiástica recepção e a participação das gentes de Armação de Pêra naquela memorável emissão do Feira Franca!

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Ana Moura - "Dia de Folga"

Que alma terá inventado essa coisa da "carne de porco à alentejana"?

Do Minho para a sua mesa... Caldo Verde!