Num triângulo de Ilhas, uma lenda de Açores. De rosto humano!

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Dou comigo a recordar aquele mestre do Terra Alta que - numa travessia das Velas para São Roque, já lá vão mais de 25 anos - me contava do Sr. Quaresma, de braço no ar, em cima do velho cais da Madalena.
Em dias de temporal, contando as ondas... para marcar o momento seguro de entrada do barco.

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Naquele triângulo de ilhas, o barco era tudo: Viu nascer as crianças (mais impacientes!) que não aguardaram até ao hospital da ilha em frente... foi viatura de funeral ou ambulância.
Muitas histórias de amor se teceram à distância, vertidas nas cartas confiadas a João Quaresma para que as encaminhasse para os amores ausentes.
Ou os açafates da comida e as encomendas que os pais mandavam para os miúdos da Ilha Montanha que tinham ido estudar para a Horta. Do lado de lá. o Gilberto das Lanchas, com a sua carrocinha, havia de tratar das entregas em mão.

Não havia lancha que arriscasse demandar o porto da Madalena sem ordem de João Quaresma. Todos os dias em cima do cai…

E quando o Português se canta à moda de Olivença?

Um excelente conjunto de vozes e músicos de Olivença numa quase comovente interpretação deste Fado Corridiño.
Canção incluída no disco Canto de Gamusinos, editado em 1999.

O doce acento oliventino...
São os ACETRE! Folk Bilingüe desde la frontera con Portugal, escrevem eles, em jeito de apresentação, na página do Facebook.

Aí deixam claro que Olivença, seu lugar de origem,
lhes outorga a característica "bicultural" de uma maneira tão expontânea e sincera que só poderá ser explicada sabendo-a nascida a partir do essencial, a partir da base da aprendizagem vital.

Nascidos em 1976, eles assumem a busca de novos caminhos para a música de raiz e tradição. Vale a pena escutá-los. Chegam a ser comoventes.

• Concerto, em Olivença, comemorativo dos 30 anos dos ACETRE.



Venham cá amores novos
que os velhos já me esqueceram
foram penas que voaram
folhas secas que já arderam

Voam as velhas cantigas
todas têm som lamentado
carregadas de fadigas
longe do tempo passado

Quando vem ao pensamento
uma lembrança divina
vejo os teus olhos na noite
que me acordaram de dia

Rosa que estas na roseira
deixa-te estar que estás bem
que acima ninguém te chega
a baixo não vai ninguém

Está a lua parada
por cima dessa janela
com sete rosas na mão
vou roubar essa estrela

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