Fenómeno de crescimento e participação! Agora não podemos parar!

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Mais de dois Milhões de membros! Um Universo que não pára de crescer e de se diversificar!
Chegados aqui... Temos de ir em frente!
E encontrar formas de corresponder ao interesse e ao entusiasmo desta multidão de rostos.

Por isso, estamos a lançar uma página nova.
Que assume com orgulho o nome de Descobrir Portugal - que fizemos, construímos e consolidámos ao longo destes dois anos no Facebook.
Até conseguirmos ter connosco mais de um MILHÃO de membros, espalhados por todos os cantos da Língua Portuguesa.

Do ala que se faz tarde! conservamos as memórias e os afectos de um blog que, neste curto período, registou mais de 6,5 milhões de visitas. Mas está na altura de iniciar uma nova caminhada fazendo apelo a novos recursos e potencialidades.

• E aí está owww.descobrirportugal.pt.Que quer continuar a contar com o vosso apoio e a vossa divulgação!


Aquilo que parecia uma brincadeira e um passatempo... tornou-se coisa séria. Precisamos agora de apoios e de suportes que garantam continuação, a…

Ânforas, potes, talhas... Alentejo, saberes e artes Património da Humanidade!

Bicho da cidade, só na casa dos 30 descobri os Vinhos de Talha. E fiquei a devê-lo àquele cidadão de Marvão com quem me cruzei lá no alto da vila muralhada.

Eram quase horas de almoço. Sempre gostei de dirigir, a quem encontrava nas terras por onde andava, a sacramental pergunta:
- Oh amigo, aqui onde é que vou almoçar?
A resposta veio pronta e sem questionamentos laterais:
- Você aqui está tramado. Vai gastar uma data de dinheiro e comer mal. Desça lá abaixo à Portagem e pergunte pelo "Milomes".

Já na beira do Sever, descobri que Milomes era pronúncia abreviada e acento local de Mil Homens, apelido do dono... que acabou nome da casa de comedorias.
Quase tão desconfiado como o Jacinto do Eça de Queirós, entrei, sentei-me e fiquei receoso com o cenário à minha volta. Estive quase para sair. Mas, depois, veio  a sopa de sarapatel e o ensopado. O vinho não me deixaram escolher: era mesmo o da casa. De início estranhei, mas fui gostando dele à medida que ia bebericando.
Era Vinho de Talha, disseram-me. Como manifestei curiosidade, no final levaram-me à adega para ver as talhas - uns imensos potes de barro - e explicarem como se fazia o vinho. Fiquei fã da comida, do restaurante e... do vinho!

Mais tarde, aprendi em Niza o que era isso das duas voltas do vinho na talha. E, em Redondo, o Presidente da Câmara levou-me a uma taberna que só encerrava dois dias no ano: quando as talhas eram cheias e quando o vinho dava a volta.

Triste fiquei na Adega do Isaías, em Estremoz, quando me contaram que as talhas estavam em risco porque as autoridades sanitárias e/ou económicas não permitiam que refeições fossem servidas em sala onde vinho fermentava nas talhas. Esvaziadas, o barro ia esboroando por dentro...

Já em Évora foi o deslumbramento quando, depois de um jantar no Aqueduto,  me apresentaram umas talhas imensas -  no espaço por baixo da sala refeiçoeira. Tão grandes que... não poderiam ter entrado pelas portas! Ou seja, tinham sido colocadas antes de ser fechada a parede da casa. Coisas de outros tempos!

 E, a seguir à emissão do Feira Franca (duas horas em directo para a Antena 1), aquele fim de festa na Vidigueira: Almoço com coral polifónico e coral tradicional juntos nas modas alentejanas.
Sem recusar a passagem por Vila de Frades e o garrafão de Vinho de Talha...!

Muitas outras histórias haveria para contar a propósito destas artes de fazer vinho em ânforas de barro. Não digo mais nada. Passo a palavra a quem disso sabe bem mais do que eu.

Vejam este vídeo:
(Para muitos, será uma verdadeira descoberta desvendar o segredo do vinho em talha!)



Mas se restarem ainda algumas dúvidas, acredito que as imagens e as explicações deste outro vídeo serão concludentes.
Dêem uma vista de olhos:



Segredos e artes, com mais de 2 mil anos de história, agora ameaçados. Não que estes vinhos faltem amantes fervorosos. Bem pelo contrário: A procura disparou e é este interesse do mercado que pode pôr em perigo tão antigo processo de fazer vinho.
Para poderem dar resposta ao mercado e rentabilizar o produto, vão ter a tendência de massificar e industrializar a produção e não irão cumprir com todas as regras a que a tradição obriga.
O alerta é do  Presidente da Câmara Municipal da Vidigueira que lidera um grupo de autarcas que assume a iniciativa de candidatura do Vinho de Talha à declaração, pela UNESCO, de Património da Humanidade.
A massificação e a industrialização da produção vão deturpar e estragar o vinho de talha na sua essência, que é o saber fazer de forma artesanal, em talhas de barro e segundo determinadas técnicas.
A afirmação do edil da Vidigueira destaca a necessidade de salvaguardar as características únicas daqueles vinhos. E justifica a decisão de avançar para a candidatura.

Pela nossa parte fica já assente que o conjunto das nossas Páginas e Grupos na net se irá envolver ardorosamente nesta campanha. Prometemos dinamizar o apoio - dos 2 milhões que somos no universo da Língua Portuguesa - a favor da mais que justa distinção dos Vinhos de Talha. Para que se não percam saberes, memórias e parcelas da nossa História Colectiva.
  • Contem connosco! E vão-nos facultando elementos de divulgação e alerta para esta acção.
  • Foi o que fizemos, por exemplo, em relação à candidatura do Fado ou do Cante Alentejano.


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